Igreja Batista Regular em Diadema - IBARD

MODALISMOS: VOLUNTÁRIOS E INVOLUNTÁRIOS

Lucas 3: 21 a 22

Talvez esta passagem acima seja uma das passagens mais claras no Novo Testamento sobre a distinção entre as três pessoas da Trindade, nosso Deus é único, porém é triúno. Um Deus, três pessoas co-iguais, co-eternas, co-poderosas. Todas estas três pessoas são dignas de nossa adoração.

Irmãos precisamos atentar mais detidamente como colocamos em prática nossas crenças. Cada Igreja autêntica deve crer no Trinitarianismo. Mas não podemos deixar que esta crença se transforme simplesmente em um assentimento intelectual sem significado. Nós denunciamos às seitas devido a erros e heresias1. Mas em geral temos que nos precaver contra a tendência de nos relacionar com o nosso Deus, não de forma trinitária e sim “modalista involuntária”.

O Modalismo é definido como a “Ideia de que as três pessoas da Trindade são, antes, um simples modo de uma única pessoa em Deus e não pessoas distintas” 2 Esta tese defende uma idéia de progressão de papeis “... três energias sucessivas, o Pai como Criador e doador da lei, o Filho como Redentor começando na encarnação e indo até a ascensão e finalmente o Espírito como Doador e sustentador da vida...” 3. Ou ainda “... Trata-se da heresia trinitária que não vê o Pai, o Filho e o Espírito como três pessoas singulares em uma relação, mas apenas três modos ou manifestações de uma pessoa divina: Deus, assim vem na história da salvação como Pai para criar e dar a lei, como o Filho para redimir e como o Espírito para ministrar graça.4

Esta heresia modalística às vezes também é conhecida como Sabelianismo “Seita dos princípios do terceiro século fundada em Esmirna por Noeto, seu discípulo a levou para Roma onde se estendeu através de Práxeas e Sabélio...O Sabelianismo é a posição teológica conhecida mais tarde como Unitarismo...” 5.

Não é muito comum nós adorarmos nos moldes do hino 01 do Cantor Cristão: Antífona. Neste hino todas as pessoas são igualmente retratadas. Nossa prática de oração em geral é dirigida somente a Deus Pai nos moldes de Mateus 6 com o acréscimo de “em nome de Jesus” no final.

É óbvio que o Senhor nos apresentou somente um modelo de oração e nós não devemos mecanizar este modelo o que contradiz exatamente o ensino da passagem. Não é necessário que Cristo participe de nossas orações somente como um apêndice. Também nós reprovamos a seita herética dos Testemunhas de Jeová que classificam o Espírito Santo como uma força ativa de Deus, porém como disse A.W. Tozer “se o Espírito Santo fosse tirado de algumas Igrejas elas permaneceriam exatamente como estão”. Naturalmente sabemos que a obra do Espírito é apontar para o Filho e não falar de Si mesmo (João 16:13,14). Mas isto não quer dizer\ que nós não adoremos Espírito Santo e nem O citemos em orações públicas. Tais equívocos já estão tão enraizados em nossa cultura eclesiástica que já é possível pressentir que você mesmo não ache se estou indo longe demais.

Nas orações e “ministrações” de louvor precisamos nos acautelar em não cometermos heresias involuntárias tais como “Obrigado Pai por ter morrido na cruz por nós”; “Jesus obrigado por ser nosso Pai”; “Oh Pai estamos aguardando a Sua volta”.Se não conservarmos e treinarmos nossa mente de maneira trinitariana ficaremos sujeitos a erros como os dos irmãos que apreciam os programas e CDs do conjunto “Voz da Verdade” Igreja Unicista (modalista) portanto herética. Você mesmo pode acessar o site: www.vozdaverdade.com.br e ir ao item Estudos Bíblicos para ratificar um poço de heresias por você mesmo. Como pessoas que afirmam amar a Jesus e louvá-lo podem produzir tanto lixo teológico?

Não adianta falar de Jesus (seitas e religiões e o mundo secular têm suas próprias versões de Jesus) precisamos proclamar o verdadeiro JESUS (João 8:32).

1 Coríntios 12:3 a 6. As três pessoas da Trindade podem ter funções e operações distintas, mas são um único Deus. Ainda assim se distinguem em três pessoas co-existentes e não em um deus mutável que vai se transformando em determinada pessoa de acordo com o período da história. Os unicistas ou modalistas usarão textos fora do contexto, mal interpretando frases de Jesus como “Eu e o Pai somos um” e “Quem vê a mim vê ao Pai” fazendo uso de uma hermenêutica pobre e lastimável.

Veja como estes argumentos falsos podem ser rebatidos rapidamente: “... Costumam citar João 10:30: “Eu e o Pai somos um”. O texto prova que Jesus é Deus absoluto igual ao Pai, mas não a mesma Pessoa do Pai. “Um” no grego, aqui, neste versículo, está no neutro hen e não no masculino que seria heis, isto mostra duas Pessoas numa só Deidade, nessa passagem. Além disso, o verbo está no plural “somos” e não no singular “sou”; não pode, portanto, Pai e Filho serem uma mesma pessoa... ”6 Além disso, desprezam o farto material das Escrituras em ambos os testamentos que implicam em um Deus triúno (Mt. 20:23; 28:19; Mc. 13:32; Lc. 23:46; Jo. 8:17, 18,42; Jo. 14:16, 26; Jo. 16:30; At. 10:38; 1 Co. 15:24; Cl. 3:1; 1 Jo. 2:22, 23; II Jo. 3.). Estas são apenas algumas passagens que desmentem o modalismo e unicismo.

Enfim Modalismo é heresia, porque a crença na doutrina da Trindade é essencial para uma Teologia sadia. O modalismo deve nos lembrar que precisamos desenvolver práticas de oração e adoração mais trinitarianas ao invés de nos conformarmos em acabar praticando um modalismo involuntário.



1 Ferreira, Franklin; Myatt, Alan; Teologia Sistemática. Edições Vida Nova, São Paulo. Introdução. Os autores distinguem erro como um equívoco daqueles que necessitam de mais luz sobre determinado tema e heresia como uma negação frontal de doutrinas que constituem o cerne da crença Cristã.

2 Erickson, Milard J.; Conciso dicionário de Teologia Cristã, Juerp. São Paulo, 1990, p. 108.

3 Erickson, Milard J.; God in three persons; Baker, Grand Rapids , Michigan, 1995, p.63.

4 Grenz, Stanley J.. ; Dicionário de Teologia, Editora Vida, São Paulo-SP, p. 89.

5 Vila, Samuel; Santamaría, Dario A.; Enciclopédia ilustrada de La história de La Iglesia, CLIE, Barcelona, Espanha, 1979 p. 519.

6 Soares, Esequias. Manual de Apologética Cristã, CPAD, São Paulo. 2002.p.324.

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